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Alimentação na fase de crescimento

Dado que hoje é celebrado o Dia Mundial da Criança, torna-se pertinente abordar alguns aspetos relativamente à nutrição e alimentação nesta fase da vida.

Os hábitos alimentares adotados desde o primeiro dia de vida têm um enorme impacto no desenvolvimento do ser humano, bem como na predisposição para obesidade infantil e outras doenças. De facto, os primeiros meses/anos de vida são determinantes para a aquisição de hábitos alimentares saudáveis e, por sua vez, uma nutrição inadequada durante essa fase irá influenciar negativamente o desenvolvimento e subsequentes processos cognitivos e emocionais.

Os primeiros anos de vida são de constante evolução e instabilidade, pelo que a adoção de um padrão alimentar saudável, adaptado às diferentes fases de crescimento, é especialmente importante e fundamental. Aliás, a alimentação e estilo de vida adquiridos neste período tendem a acompanhar o crescimento da criança até à idade adulta. Desta forma, uma vez que grande parte das crianças realiza várias refeições nos infantários/creches/escolas, é essencial que nestes locais seja promovido um estilo de vida saudável.

É importante salientar que as crianças não são todas iguais, tendo cada uma o seu padrão de crescimento que é influenciado por diversos fatores, incluindo a sua herança genética. No entanto, uma alimentação equilibrada e variada, rica em vitaminas e minerais deve ser comum a todas. Para além disso, as crianças aprendem através das suas experiências, repetindo o que observam, por isso, o comportamento alimentar e as práticas das pessoas que as rodeiam irão servir como exemplo e devem, igualmente, incluir uma alimentação e um estilo de vida saudáveis.

Antes de abordar as questões relacionadas com a alimentação propriamente dita, há certas praticas que devem ser implementadas, nomeadamente:

  • Realizar as refeições à mesa, sempre com companhia e num ambiente calmo;
  • Incentivar uma adequada mastigação dos alimentos e refeições a um ritmo lento;
  • Evitar a substituição dos alimentos que as crianças não gostam (principalmente os hortofrutícolas), em vez disso experimentar outros métodos de confeção ou de apresentação no prato, de forma a reintroduzir os alimentos em questão;
  • Conceber o prato da refeição com um aspeto apelativo (em termos de cor e textura);
  • Evitar que a criança deixe comida no prato, mas também não se deve forçar a comer tudo – servir apenas as quantidades adequadas à idade;
  • Não oferecer alimentos de compensação de forma a persuadir a criança a ingerir outros alimentos menos apetecíveis;
  • Incluir as crianças na definição dos menus do agregado familiar e na escolha dos componentes de cada uma das refeições;

A ingestão alimentar das crianças é influenciada por vários fatores, tais como o ambiente familiar, anúncios televisivos, doenças ou até mesmo o comportamento dos colegas. A conciliação de influências negativas pode levar à adoção de uma alimentação desadequada, da qual podem surgir doenças como por exemplo a obesidade.

Em idade pediátrica a obesidade é considerada uma doença multifatorial, sendo classificada como um dos mais graves problemas de saúde pública. Além disso, Portugal é um dos países da Europa com maior prevalência de excesso de peso/obesidade, particularmente nesta faixa etária. Esta pode ser potenciada pela ausência de atividade física, que deve fazer parte do dia-a-dia das crianças, por ser fundamental para o seu desenvolvimento físico, social e cognitivo.

Relativamente à alimentação, muitas vezes as refeições intercalares (pequeno-almoço, lanche e ceia) têm por base produtos processados, por serem mais práticos. O pequeno-almoço, por ser a primeira refeição do dia após um jejum prolongado, deve ser completo, equilibrado e variado pois tem um grande impacto na capacidade de concentração e aprendizagem das crianças, potencia o aumento de apetite para as refeições seguintes e nos casos em que é omitido pode desencadear irritabilidade, cansaço, dores de cabeça e quebras no rendimento físico e intelectual. Por exemplo, uma taça com 200mL de leite meio gordo e 50g de cereais açucarados contém aproximadamente 300Kcal e reflete uma refeição de baixo interesse nutricional uma vez que tem um alto teor de açúcares adicionados (entre 15-20g de açúcar adicionado, dependendo dos cereais). Por outro lado, um pequeno-almoço constituído por um copo de leite meio gordo (200mL), um pão de mistura (50g) com uma fatia de queijo e uma peça de fruta da época é uma opção de refeição de boa qualidade nutricional, rica em vitaminas e minerais, com açúcares naturalmente presentes nos alimentos (como são o caso dos presentes no leite e na fruta). Ou seja, o ideal será fazer um plano das refeições de forma a optar por alimentos mais saudáveis, privilegiando as recomendações da Roda dos Alimentos (nas doses adequadas à faixa etária e sexo da criança, pois os ritmos de desenvolvimento são diferentes). No entanto, para qualquer dificuldade sentida pela família na implementação de um padrão alimentar saudável, existem profissionais de saúde – Nutricionistas -, aptos para encontrar as melhores opções tendo em conta as particularidades da criança.

Concluo reforçando a importância da adoção de escolhas diversificadas, mas adequadas, a fim de as crianças adquirirem um estilo de vida saudável que devem manter ao longo das suas vidas.

Aproveite a celebração do Dia Mundial da Criança para confeccionar em conjunto uma sobremesa muito simples mas que certamente todos os elementos da família irão gostar, em particular os mais novos:

 

Gelado de Morango e Banana

Ingredientes:

200g de morangos congelados

2 bananas médias congeladas

2 iogurtes gregos sem adição de açúcar

Modo de preparação:

  • Partir a banana e os morangos em pedaços;
  • Juntar a fruta aos iogurtes e triturar tudo;
  • Levar ao congelador durante 4-5horas;
  • Servir frio e desfrutar.

 

 

 

Dra. Maria Inês Barros

Nutricionista (4035N)