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Doenças da tiroide e a COVID-19

Como todas as pessoas portadoras de qualquer doença, também aquelas com patologia da tiroide estão preocupadas com o impacto que a atual situação de pandemia Covid-19 pode ter na sua situação clínica.

Estas preocupações são sobretudo a quatro níveis:

1º – Doentes que estavam a ser investigados por suspeita de doença tiroideia e que tiveram essa investigação suspensa ou adiada.

2º – Doentes já com diagnóstico de doença tiroideia, com indicação para tratamento cirúrgico e que viram as intervenções cirúrgicas adiadas.

3º – Doentes a fazerem tratamento para alguma doença da tiroide, com receio que a sua doença, ou o tratamento sejam causa de maior suscetibilidade à Covid-19 ou piorem o seu prognóstico.

4º – Doentes a fazerem tratamento e que tiveram os exames de acompanhamento e vigilância adiados.

Já várias sociedades médicas e científicas emitiram documentos quanto à abordagem das doenças da tiroide durante a pandemia Covid-19 e atitudes a tomar, nomeadamente nesta fase de desconfinamento progressivo e tentativa de regresso à normalidade possível.

Quase todos esses documentos estão acessíveis ao público na Internet. De entre estes, recomendamos os do Colégio de Endocrinologia e Nutrição da Ordem dos Médicos; da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo; da British Thyroid Association; da European Thyroid Association e da American Thyroid Association.

De uma forma geral, podemos dizer que raramente as doenças da tiroide são uma emergência ou urgência médica, e como tal, na esmagadora maioria das situações, é seguro adiar os procedimentos quer de investigação quer de tratamento.

Os médicos dos doentes que estavam a ser investigados devem conhecer as recomendações em vigor e decidir se os exames de investigação, nomeadamente a realização de citologias aspirativas (biópsias) podem ou não ser adiadas. Neste momento, há regras precisas para a realização dessas biópsias, que devem ser seguidas pelos médicos e pelos doentes de modo a tornar esse procedimento seguro.

Também os médicos dos doentes que viram as suas cirurgias adiadas devem conhecer e aplicar as regras definidas de prioridades para tratamento cirúrgico, no contexto atual.

Não há qualquer evidência de que as doenças da tiroide (hipo ou hipertirpoidismo, bócio, tiroidites, neoplasias, etc) tornem os seus portadores mais suscetíveis à infeção por SARS-CoV-2 ou piorem o seu prognóstico, se ela vier a ocorrer.

De igual modo, os medicamentos habitualmente usados no tratamento das doenças da tiroide (anti-tiroideus, hormonas tiroideias, etc.) não têm qualquer repercussão na aquisição ou evolução de uma eventual infeção.

Os pacientes em seguimento por doença da tiroide, a tomar medicação, devem fazer os exames de vigilância, nomeadamente analíticos, nas datas previstas. Os doentes devem saber quais são os resultados esperados de modo a contactarem o seu médico se esses resultados estiverem alterados.

No caso específico de doentes em tratamento ativo por um cancro da tiroide a atitude tem que ser decidida caso a caso com o médico responsável.

Nos sites da Internet já mencionados, nomeadamente nos escritos em português, há informação extensa, acessível e de fácil compreensão, que responde praticamente a todas as questões que possam ter as pessoas com doença da tiroide suspeita ou já confirmada.

Em caso de dúvida, a melhor opção é sempre contactar o seu médico, preferencialmente por telefone, para avaliar se há ou não necessidade de uma consulta presencial.

 

 

Dr. José Polónia

Cirurgião Geral