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Hospital de Santa Maria – Porto realiza rastreio aos fatores de risco do AVC

Para assinalar o Dia Nacional do Doente com AVC, o Hospital de Santa Maria – Porto realiza na próxima quarta-feira, dia 31 de março, uma ação de rastreio aos fatores de risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A iniciativa é dirigida a toda a população acima dos 60 anos e decorre nas instalações do Hospital, de acordo com todas as medidas de segurança previstas no seu Plano de Contingência e pelas autoridades sanitárias.

O rastreio inclui a monitorização da tensão arterial, a análise dos níveis de glicemia, da medição do peso ponderal e da medição do perímetro da cintura e da anca, complementado com a realização de exame de Eco-Doppler (ecografia vascular) às artérias carótidas. Coordenado pelo Prof. Doutor João Franklin, médico especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, com a colaboração da equipa de Enfermagem, do Serviço de Nutrição e do Serviço Médico de Atendimento Permanente (SMAP), a realização desta iniciativa tem como objetivo despistar a doença carotídea ou aterosclerose e outros fatores de risco. Os casos em que forem detetados valores fora do normal e considerados de risco, serão avaliados numa consulta de Medicina Geral e Familiar para aconselhamento médico.

Pelo período conturbado que vivemos e de forma a contribuir para um projeto de solidariedade social, que apoia as famílias carenciadas da cidade do Porto, esta ação tem um custo simbólico de 5€, que reverte integralmente para a “Porta Solidária”. As inscrições são limitadas às vagas existentes e podem ser realizadas através do telefone 225 082 000.

O Acidente Vascular Cerebral continua a ser uma das principais causas de morte em Portugal, acarretando nos sobrevivos uma enorme morbilidade, potenciais anos de vida perdidos e múltiplas incapacidades no conjunto das doenças cardiovasculares. Regra geral, os AVC surgem de uma forma súbita, em homens e mulheres com alguma predisposição genética mas que, sobretudo, apresentam um risco elevado associado a estilos de vida pouco saudáveis e portadores de vários fatores de risco cardiovascular: hipertensão arterial, diabetes mellitus, tabagismo, obesidade, colesterol e ácido úrico elevado, stress, sedentarismo, etc.

Um AVC ocorre como resultado de uma interrupção brusca de sangue e oxigénio ao cérebro, provocando a morte de neurónios e graves danos na função cerebral. Os AVC são frequentemente antecipados por Acidentes Isquémicos Transitórios (AIT), isto é, por mini AVC com duração de apenas alguns minutos ou horas, e revertidos ao fim de 24 horas. Cerca de 20% são de causa hemorrágica, por rutura de um vaso sanguíneo e sangramento cerebral.

Em resultado dos AVC podem ocorrer disfunções cerebrais, dependendo da sua extensão e área lesionada, como grave impacto da nossa autonomia funcional, independência e qualidade de vida.

É exatamente pelas consequências nefastas que acarretam à nossa saúde e bem-estar, que a sua prevenção assume uma enorme relevância. Muitos casos podem ser prevenidos apenas através da adoção de hábitos de vida saudáveis e de uma vigilância médica mais apertada na deteção e controlo dos fatores de risco cardiovascular, mas existem outros em que tal já não é suficiente. Um simples exame das artérias carótidas permite o despiste de lesões (“ateromas”) sobejamente reconhecidas como responsáveis pela formação de trombos e, neste contexto, uma causa frequente de trombo-embolias cerebrais, clinicamente expressas através de AIT e AVC. São exames simples e não-invasivos, destinados a avaliar a morfologia e hemodinâmica das artérias carótidas, designadamente a localização, extensão e riscos trombo-embólicos de eventuais placas de ateroma, por forma a antecipar o seu tratamento, a tempo de evitar os AVC.

Em conclusão: os AVC não devem constituir uma fatalidade nas nossas vidas, na certeza de que o melhor alerta é que os podemos prevenir e até evitar. Aproveite este rastreio e cuide da sua saúde.