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Campeã Nacional de Padel vence torneio do World Padel Tour

A atleta Ana Catarina Nogueira, campeã e número um do ranking nacional de Padel, venceu o WPT Arroyo de La Encomienda Challenger, sendo a primeira vez na história que um atleta português vence uma prova do circuito internacional. O Hospital de Santa Maria – Porto orgulha-se de acompanhar a atleta nacional neste percurso de vitórias.

Foi uma época excelente que culminou com uma grande vitória. Como se sente depois desta conquista?

O ano de 2018 realmente foi um ano excelente, com a conquista do título do World Padle Tour (WPT) no final do ano. Foi o meu primeiro torneio a esse nível e o primeiro título de qualquer atleta português neste circuito mundial.

Fiquei muito contente e muito orgulhosa, foi um torneio em que tivemos jogos muito difíceis, jogámos ao mais alto nível, uma competição muito dura na qual é mesmo muito difícil chegar a uma final e mais difícil ainda conseguir ganhar. Várias pessoas foram de Portugal especialmente para nos ver jogar na final e esse apoio foi mesmo muito bom para nós.

Esse foi o ponto alto da época, mas 2018 foi todo um ano de várias conquistas, como o título no Campeonato Nacional (já pelo oitavo ano consecutivo), o fato de atingir o primeiro lugar do ranking nacional e o 21.º lugar no ranking mundial. Estes rankings demonstram o nível que tive sempre ao longo do ano. Também alcançámos o terceiro lugar no Campeonato do Mundo de Padel por seleções, o que foi um excelente resultado e nos deixou apenas atrás da Espanha e da Argentina, países que levam vários anos de vantagem em relação a nós nesta modalidade.

Para um percurso a este nível tem decerto uma rotina muito exigente em termos de preparação física. Que tipo de treino faz para enfrentar uma época destas?

Este é um trabalho que já vem sendo feito há vários anos e que exige muito esforço e muita disciplina. Eu treino todos os dias da parte da manhã a parte técnica e tática do Padel, em cerca de uma hora e meia duas horas, e depois ainda faço uma parte de preparação física de ginásio e treino funcional para o Padel durante outra hora e meia. Mais tarde faço um trabalho de fisioterapia de prevenção ou tratamento de lesões, também diário. É o resultado desse trabalho que tenho feito ao longo destes anos que está agora a dar os seus frutos. Realmente em 2018, apesar de haver sempre lesões e de haver sempre que tratar e que gerir o esforço e a carga muscular, consegui manter uma boa forma ao longo do ano, o que é muito bom porque é uma época muito longa, de março a dezembro. Temos de estar ao mais alto nível durante vários meses, são precisas uma constância e uma dedicação muito grandes.

Ao nível da Nutrição tem também cuidados especiais?

Sim, tenho o apoio de um nutricionista, o Dr. Sérgio Teixeira, um profissional ligado ao desporto e em particular ao desporto de rendimento, porque já acompanhou equipas de futebol. Na alta competição é muito importante termos um acompanhamento específico e uma orientação para a alimentação para sabermos o que comer antes, durante e após uma competição. As necessidades nutricionais do atleta são diferentes em cada uma dessas situações e é muito importante termos esses fatores em consideração. Mais uma vez, é necessária alguma disciplina, porque nem sempre podemos comer tudo aquilo que queremos. Além da alimentação também o descanso é muito importante, um atleta deve ter no mínimo oito horas de sono. A alimentação e o sono são o que nós chamamos de “treino invisível”, ou seja, são fatores que têm de fazer parte do nosso dia-a-dia e que fazem toda a diferença na recuperação de um atleta.

Para além da sua atividade como atleta profissional de alto rendimento, ainda dá aulas de Padel….

Sim dou aulas no Clube de Padel da Quinta de Monserrate, em Matosinhos. Da parte da manhã e início da tarde dedico-me ao meu treino pessoal e ao final da tarde dedico-me aos meus alunos, a dar aulas, a ensinar os mais jovens a aprenderem a modalidade e a jogar melhor. É uma atividade que também me dá muita satisfação.

Uma lesão mais complicada que teve poderia ter posto em causa a sua performance desta época. Como conseguiu ultrapassar esta situação?

As lesões infelizmente são parte de quem pratica desporto e não acontecem apenas na alta competição, também os amadores podem sofrer lesões graves. O cotovelo, o joelho, o ombro, são articulações particularmente sujeitas a esforço no Padel e por essa razão surgem muitas lesões. Eu tive uma lesão muito complicada no cotovelo em 2017 que quase me impediu de jogar. No final desse ano, iniciei um tratamento com fatores de crescimento no Hospital de Santa Maria – Porto, com o Dr. Rui Pinto, médico ortopedista. O tratamento que fiz com o Dr. Rui Pinto foi tão eficaz que quando recomecei a preparação em fevereiro já estava praticamente recuperada. A questão das lesões também tem uma parte psicológica muito importante que é preciso gerir, é preciso acreditar que vamos ultrapassar, que vamos recuperar rapidamente. No meu caso para isso contribuiu muito o facto de estar a ser acompanhada por uma excelente equipa clínica do Hospital de Santa Maria – Porto, que me ajudou bastante, e também pela minha fisioterapeuta, Dra. Célia Dionísio, que ajudou a complementar esse tratamento.

No final de junho tive uma lesão no ombro, num torneio, fui novamente assistida pelo Dr. Rui Pinto, voltei a fazer todos os exames para ver a extensão da lesão e ele fez o diagnóstico da rutura no infraespinhoso e no trícepe. Felizmente apenas precisei de acompanhamento de fisioterapia e de muita disciplina e agora vou aproveitar os próximos dias de descanso para recuperar totalmente. A dor e o sofrimento físico fazem parte da vida de um atleta de alta competição e temos de aprender a viver com isso, mas fica tudo mais facilitado se tivermos os cuidados adequados, no treino e na prevenção, e – claro! – se formos assistidos pelos melhores profissionais, que foi o meu caso.