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Como interpretar um rótulo?

As embalagens dos produtos alimentares são um instrumento de marketing importante e, por sua vez, um fator determinante na escolha e consumo dos mesmos. Os rótulos alimentares e nutricionais ocupam uma parte significante da informação veiculada pelas embalagens, que é essencial saber interpretar para uma boa escolha.

A DGS, em parceria com a OMS, realizou um estudo em 2017 com o objetivo de avaliar a atitude dos consumidores portugueses face à rotulagem alimentar. Concluiu-se que 40% dos consumidores inquiridos não compreendiam a informação nutricional básica que lhes permitia fazer escolhas alimentares mais saudáveis e essa percentagem passava para 60% em inquiridos com níveis de escolaridade mais baixos. A dificuldade em interpretar rótulos prende-se também com algumas designações que aparecem nas listas de ingredientes que são desconhecidas pela população em geral.

Analisando o caso específico do açúcar, que segundo o Regulamento (UE) nº 1169/2011: define-se como “todos os monossacáridos e dissacáridos presentes nos géneros alimentícios, excluindo os polióis”, nos rótulos alimentares podem assumir diferentes designações, tais como maltose, dextrose, xarope de açúcar, xarope de agave, glucose, entre outros. Esta informação acaba por dificultar a interpretação do rótulo.

Assim, na leitura de rótulos é importante ter em atenção as seguintes informações:

  • Lista de ingredientes: os ingredientes constituintes dos alimentos aparecem por ordem decrescente em função da quantidade em que se encontram presentes no alimento;
  • Data de validade;
  • Alergénios: mencionados na lista de ingredientes (Ex: contém amendoim, vestígios de frutos de casca rija):
  • Condições de conservação: os alimentos, dependendo das suas características, necessitam de condições de conservação específicas, p.ex: frio positivo, frio negativo, ao abrigo da luz, em local seco, etc. Desta forma, é necessário armazená-los corretamente para manterem as suas características organoléticas (cor, sabor, odor, textura) e segurança alimentar.
  • Aditivos: são apresentados pela sua categoria e pelo seu nome específico ou pela letra “E” seguida de um número com três algarismos (Ex: antioxidante E300). A sua identificação torna-se importante pois utilizações indevidas dos aditivos alimentares, tanto por um consumo excessivo como pela inclusão de um aditivo não declarado, podem compreender riscos para a saúde;
    • De acordo com a EFSA – European Food Safety Authoraty, os aditivos são substâncias naturais ou sintéticas, com ou sem valor nutricional, que podem ser adicionadas aos produtos alimentares durante os seus processos de preparação, acrescentando-lhes certas características. No Regulamento (CE) N.º 1333/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho de 16 de Dezembro de 2008 estão definidas diversas classes funcionais de aditivos presentes em produtos alimentares. Na seguinte tabela enumeram-se os aditivos mais utilizados:
E100 – E180; Corantes
E200-E252, E280-285 Conservantes
E300 – E321 Antioxidantes
E420 e E421, E950-E968 Edulcorantes
E400-E499 Emulsionantes, estabilizantes, espessantes e gelificantes
E620 a E640 Intensificadores de Sabor

 

Quanto à informação nutricional, apesar de nem sempre ser obrigatória (p.ex: em produtos vendidos a granel e/ou pesados à vista do consumidor), quando presente é muito importante para um conhecimento mais aprofundado do alimento. No caso de um alimento com uma informação nutricional simples, esta apresenta o valor energético, o teor em proteínas, hidratos de carbono/glícidos e lípidos/gorduras. Nas informações nutricionais mais completas, acrescentam-se teores em açúcares, ácidos gordos saturados, colesterol, ácidos gordos trans, fibras alimentares, vitaminas e minerais (sódio, cálcio).

De modo a facilitar a interpretação da informação nutricional presente nos rótulos de alimentos, foi desenvolvido pela DGS (Direção Geral Saúde) um Descodificador de Rótulos  tendo por base as recomendações do Departamento da Saúde/Ministério da Saúde do Reino Unido. Através de um código de cores são fornecidas informações ao consumidor que o capacitam a melhores escolhas com base nos teores de açúcares, gorduras e sal presentes no alimento em questão. A cor verde significa que o produto alimentar tem um baixo teor desse nutriente/componente, o amarelo que tem um teor intermédio e o vermelho que tem um teor elevado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em suma, deve optar-se por alimentos cujas quantidades de gorduras, açúcares e sal estejam dentro dos intervalos que correspondem à cor verde.

Outro método prático para avaliar a qualidade nutricional de um produto é utilizando o Nutri-score (Chantal, J., Hercberg, S. & WHO), que consiste numa escala de classificação de cores e letras, para cinco classes. A escala vai desde o verde, com a letra A, ao vermelho com a letra E, tal como se observa na seguinte figura:

Portanto, de forma bastante intuitiva, consegue perceber-se que um alimento mais saudável estará à esquerda na escala (tom verde) e os menos saudáveis à direita (tom vermelho). Apesar de não ser um método tão específico como o Descodificador de Rótulos, que avalia determinados componentes individualmente, ambas as escalas contribuem para facilitar a escolha do consumidor e promover opções alimentares saudáveis e, consequentemente, para contribuir para a prevenção e controlo de doenças crónicas, como obesidade e diabetes, na população.

Portanto, numa próxima ida ao supermercado, tenha em atenção a informação transmitida previamente. Leia atentamente o rótulo dos alimentos, em particular a lista de ingredientes e a informação nutricional (com o auxílio do Descodificador de Rótulos ou do Nutri-Score) para escolhas mais adequadas alinhadas com um estilo de vida saudável.

 

 

Dra. Maria Inês Barros

Nutricionista | 4035N