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Conversar e compreender a menopausa

No princípio do século passado a “Esperança Média de Vida” da mulher portuguesa eram os 43-45 anos. A aumentar progressivamente, a Esperança média de vida da Mulher atinge hoje os 78-82 anos, com a menopausa a instalar-se pelos 50 anos. Um terço da vida das mulheres processa-se após a menopausa. Importa, portanto, investir na sua qualidade e permitir que os últimos 30 anos da sua existência decorram de uma forma aprazível e com a melhor qualidade. Como aliás já foi referido, a menopausa ocorre pelos 50 anos, oscilando entre os 45 e 52 anos. Se ocorrer antes dos 40 anos, considera-se menopausa precoce.

Mas afinal o que é a menopausa?

A menopausa corresponde à última menstruação consequente ao esgotamento do património folicular do ovário. Traduz a falência ovárica e é considerada definitivamente instalada ao fim de um ano sem menstruações.

Mas é na pré-menopausa (período que antecede 4 a 5 anos à última menstruação que se prolonga até um ano após a última menstruação). É neste período que os folículos vão começar de uma forma muito irregular, incaracterística e diferente de mulher para mulher, a envelhecer. Podem surgir irregularidades menstruais com ciclos curtos ou com hemorragias abundantes alternando com a ausência de menstruação, acompanhado de ansiedade, calores e suores frios frustes, irritabilidade e aumento do peso fácil. A sintomatologia pode ser considerada de imediato, a longo prazo ou inexistente. A definição de menopausa é clinica e retrospetiva após a amenorreia de um ano. A menopausa é um biomarcador de plena capacidade.

A curto prazo, resultante da diminuição folicular ovárica e portanto de um hipoestrogenismo, destacando as alterações do padrão dos ciclos até à sua total ausência, irritabilidade, sinais vasomotores (suores frios, calores e afrontamentos, alterações de sono, emocionais, de humor, e, às vezes, cognitivas).

A médio prazo, síndrome genito-urinária que, ao extremo, leva a incontinência urinária, à secura vaginal, com repercussão da atividade sexual e a alterações cutâneas.

A longo prazo, complicações mais tardias, destacando as cardiovasculares e a osteoporose, que evolui de forma silenciosa e leva a fraturas, dores, perdas de mobilidade, doenças neurocognitivas – como a Doença de Alzheimer; com diminuição da memória visual, dificuldade de concentração, falências auditiva, visual e verbal e, entre outras.

Com a instalação e o conhecimento deste Quadro Clínico, não são necessários grandes meios complementares de diagnóstico. Mas a determinação sérica dos níveis altos do Hormônio Folículo Estimulante (FSH) (› 25 UI/l) e baixa de estradiol (‹ 20 pg/ml) na ausência de fatores de interferência. Nesta fase da vida é muito útil investir na prevenção: mamografia/ecografia mamária anual; pesquisa de sangue oculta nas fezes; colonoscopia de 5/5 anos; citologia vaginal e ecografia abdominal. Para evitar todas estas alterações, dependendo da sua intensidade e repercussão da auto-estima das mulheres, existe tratamento que é individual e que deverá ser sempre prescrito por um médico especialista.

A par de um estilo de vida saudável, com prática de exercício físico, dieta adequada, sem abusos, e equilibrada, e cessação tabágica e alcoólica temos a Terapêutica Hormonal de Substituição (THS).

A THS tem de ser interpretada como o alívio dos sintomas e a prevenção a longo prazo, da osteoporose, das alterações cardiovasculares, e neurocognitivas com adiamento das suas manifestações. A THS continua a ser a terapêutica mais eficaz para o tratamento dos sintomas vasos-motores e da atrofia vulvovaginal. Deve ser implementada em conjunto com as estratégias, já referidas, que contribuem para um estilo de vida saudável. A THS deve ser sempre individualizada, de acordo com os sintomas com a existência ou não da obesidade, diabetes e hipertensão. A opção da THS, sua dose, continuação, duração do tratamento, e a via de administração constitui uma decisão partilhada entre o médico e a sua utente, conhecidos os benefícios e os efeitos colaterais. A dose a adotar deve ser a mais baixa possível com eficácia terapêutica.

Atualmente existem novos fármacos e diferentes vias de utilização, como a transdérmica, nasal, hormonas bioidênticas e novas combinações hormonais.

A menopausa é uma oportunidade ótima para os clínicos proporcionarem à mulher uma boa e longa qualidade de vida, recorrendo a tratamentos específicos, adaptados individualmente e cuidados preventivos modificando estilos de vida.

 

Dra. Teresa Osório

Ginecologia-Obstetrícia, Ginecologia Oncológica