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Doença de Alzheimer – como detetar e evitar a progressão da doença

Apesar da contínua investigação, quer para um diagnóstico precoce, quer para um tratamento inovador da Doença de Alzheimer, o número de novos casos continua a aumentar. Este aumento está associado ao envelhecimento progressivo da população, ao aumento da poluição, ao isolamento forçado dos idosos pela pandemia de Covid-19, bem como às próprias consequências cerebrais da infeção por Covid-19, todos estes fatores condicionam um aumento progressivo dos casos de demência, estimando-se que atualmente esta patologia afete cerca de 80 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que 70% das demências serão Doença de Alzheimer.

Por tudo isto, e a propósito do Dia Mundial da Doença de Alzheimer, que se celebra a 21 de setembro, é urgente um alerta para a sensibilização deste tipo demências e para contribuir para uma mudança nos fatores modificáveis causadores e/ou agravantes destas doenças.

Até há pouco tempo, aceitava-se a genética e os fatores de risco da aterosclerose como os principais causadores da doença. Actualmente, sabemos que a doença se inicia com uma fase pré-clínica em que a fisiopatologia já pode ser detectada até 20 anos antes de surgirem os primeiros sintomas de deterioração intelectual. Desta forma, é possível tentar evitar a progressão da doença, através da alteração dos fatores modificáveis da mesma, evitando que esta avance até uma fase onde já pouco se pode fazer.

Aos dias de hoje, e apesar de todo o investimento que tem sido feito em investigação, ainda não há cura para a Doença de Alzheimer. Por isso, é cada vez mais importante que haja uma preocupação global quanto à etiologia, diagnóstico e tratamento precoces e adequados, permitindo que os pacientes possam manter-se activos enquanto possível, já que isso pode ajudar a preservar as suas capacidades intelectuais e, acima de tudo, melhorar a sua qualidade de vida. Não existindo ainda a cura para a doença, há medicamentos que, associados a outras atitudes e terapêuticas, podem atrasar a evolução “maligna” da doença.

A Doença de Alzheimer é efectivamente a mais frequente, e engloba no seu conceito outras demências, como a “Demência Frontotemporal” – de que a “Afasia Primária Progressiva” e a “Demência do Lobo Frontal” são aspectos major, sendo a principal consequência uma perda importante de memória. Estes tipos de demência, embora façam parte do mesmo grupo, têm algumas características diferentes: a “Afasia Frontotemporal”, por exemplo, pode manifestar-se durante alguns anos como apenas uma afasia (perda da fala) e só mais tarde como uma Demência Progressiva.

Outras demências podem ser confundidas com a Doença de Alzheimer, apesar de terem algumas características diferentes na evolução da sua sintomatologia. É o caso da Demência de Corpos de Lewy, na qual os seus portadores habitualmente demonstram défices nas funções executivas mais acentuados desde o início, ao contrário do que acontece na Doença de Alzheimer, e também mostram alterações diferentes do ponto de vista de imagem cerebral.

Em segundo lugar temos a Demência Vascular, proporcionalmente muito importante e significativa, sobretudo por ter como base uma situação tratável e constituir, por isso, uma forma de demência que poderia ser evitada, se houvesse um bom controle da hipertensão arterial e de outros factores de risco vascular, como os erros alimentares. Neste caso, chamo especial atenção para o elevado teor de sal, gordura e açúcar muitas vezes presente na nossa alimentação e que contribui em larga escala para a  hipertensão arterial, que é a causa mais frequente da Demência Vascular, sendo uma condição que pode ser controlada.

Outros tipos de demência com menos impacto – mas não menos importantes – são a Demência Pós-Traumática, que resulta de concussões repetidas e traumatismos de crânio (por exemplo, nos atletas), as Demências de causa infecciosa, como as provocadas pela Sífilis e pela SIDA, e a Demência de Creutzfeldt Jacob, de causa desconhecida e sem tratamento, ou melhor, apenas com tratamento paliativo.

Ainda em plena fase de Covid-19, há já descrições de encefalopatia de tipo demencial como complicação desta infecção. Por outro lado, não posso deixar de alertar para as consequências gravosas do isolamento dos pacientes atingidos ou só para prevenção da infecção. Esse isolamento, por si, pode contribuir para aumentar o risco de evolução da demência. Por outo lado, as alterações de sono, induzidas por estas situações, são um fator de risco importante como causa da demência – este constitui também um fator de risco modificável.

Também importa referir as consequências induzidas pelas alterações climáticas no nosso organismo e no ambiente. Continuamos a destruir e a não preservar as nossas florestas e a ter pouca preocupação com os efeitos secundários dos tóxicos no meio ambiente e nos nossos alimentos. Cada vez mais, devemos dar importância ao meio que nos rodeia, tentar evitar ambientes poluídos, não fumar e evitar os alimentos processados.

Para terminar, quero ainda alertar para a importância da actividade física adequada a cada situação, a convivência, a socialização e outras actividades lúdicas, como a música, a dança e o teatro, que ajudam a diminuir e podem mesmo compensar quadros depressivos associados, que complicam muitas destas demências e podem mesmo mimetizá-las, como é o caso da Pseudo-Demência.

Se tem dúvidas ou pretende um esclarecimento ou avaliação da sua sintomatologia, contacte a nossa equipa, através do 225 082 000 para agendamento de consulta.

 

 

 

Dra. Maria Edite Rio

Neurologista