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A importância do sono das crianças em período escolar

Diz a sabedoria popular que “bom sono e boa comida acrescentam à vida” e que “deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer”. Não é por acaso que parte significativa dos ditados populares reforcem comportamentos promotores de saúde, e parte deles se relacionem com o sono, reconhecendo a sua importância para o nosso bem-estar geral. Afinal é a dormir que passamos cerca de um terço da nossa vida.

 

Mas afinal, porque dormimos? O sono é um processo fisiológico natural, imprescindível a um desenvolvimento físico, mental e intelectual saudável. Corresponde a um período de diminuição do estado de consciência e da actividade física motora, tendo uma função regeneradora e de recuperação. No entanto, está longe de ser um período em que nada acontece: Restabelecem-se vários sistemas e asseguram-se diversas funções essenciais ao crescimento, à regulação hormonal e do sistema imunitário, e ao desenvolvimento do sistema nervoso central e da capacidade cognitiva. Durante o sono é filtrada toda a informação recebida e feita a integração das aprendizagens, retendo as memórias mais importantes.

 

Dormir é essencial, mais ainda para as crianças e adolescentes. Não só porque necessitam de um maior período de sono, mas também porque a aquisição de bons comportamentos de sono na infância favorece a manutenção de um padrão de sono adequado na idade adulta.

O período de tempo que durante um dia deverá ser dedicado ao sono vai diminuído ao longo da vida:

 

IDADE Tempo sono recomendado
0-3 meses 14-17h
4-11 meses 12-15h
1-2 anos 11-14h
3-5 anos 10-13h
6-13 anos 9-11h
14-17 anos 8-10h

 

Muitos estudos relacionam o tempo de sono com o desempenho escolar, concluindo que este é afetado negativamente por um período de sono insuficiente. Comportamento mais inquieto e instável, sonolência, diminuição da capacidade de atenção, dificuldades de memória e irritabilidade são alguns dos sintomas que se manifestam em crianças que dormem pouco e que inibem a sua disponibilidade para a aprendizagem.

 

Estabelecer regras de sono

A aquisição de um padrão de sono adequado deve ser mais uma das aprendizagens das crianças. Tal depende do estabelecimento de um conjunto de regras de higiene do sono por parte dos pais ou cuidadores. Definir regras e fazê-las cumprir é uma tarefa árdua para qualquer educador. Pode haver lugar a alguma flexibilidade e negociação, contudo deve sempre basear-se na consistência e previsibilidade.

As rotinas associadas ao período de adormecer devem estar bem estabelecidas – atividades permitidas ao final do dia, sequência de eventos previsível, hora de adormecer e condições do quarto.

Deve evitar-se atividades vigorosas nas duas horas que antecedem a hora de deitar. O jantar não deve ser “volumoso” ou conter alimentos ou bebidas estimulantes.

Segundo diversos estudos, as horas de sono têm vindo a diminuir desde o aparecimento da eletricidade, sobretudo após a generalização da televisão, telemóveis ou computadores. Passar demasiado tempo em frente a um ecrã tem um impacto negativo na saúde das crianças, na sua auto-estima e nas aptidões de socialização. Apesar de cada vez mais tarefas escolares recorrerem às novas tecnologias, cada família deverá ter bem claras as regras da sua utilização durante o período de aulas.

A hora de deitar, mas também a de acordar, deve ser sensivelmente a mesma todos os dias. Não deve variar mais de uma hora aos fins-de-semana.

O quarto deve ter um ambiente sereno e escuro, com uma temperatura amena. Os equipamentos eletrónicos devem ser desligados mais de 30 minutos antes de adormecer e, idealmente, devem ser mantidos fora do ambiente do quarto.

Depois de um período de sono adequado, não se esqueça da importância de um bom pequeno-almoço, que interrompa o período de jejum noturno e lhes forneça a energia necessária à sua atividade no período da manhã.

 

Com os votos de bom regresso às aulas!

Hospital de Santa Maria

 

Dr. Marco Pereira

Pediatra