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6 conselhos para usufruir em pleno do sol e evitar os seus malefícios

O sol emite radiações eletromagnéticas contínuas em amplo espectro, das quais apenas aquelas com comprimento de onda entre 290 a 4000 nanómetros atingem a superfície terrestre, subdividindo-se em três tipos: a conhecida radiação ultravioleta, a radiação infravermelha e a radiação visível.

Metade da radiação que atinge a superfície terrestre corresponde à radiação infravermelha que, sendo responsável pela geração de calor, assegura as condições de temperatura necessárias à preservação da vida.

A radiação visível (luz), relativamente inócua, é imprescindível para o funcionamento dos órgãos da visão e para a promoção da fotossíntese.

Já a radiação ultravioleta é a responsável pelas doenças cutâneas induzidas pela exposição ao sol.

No entanto, a exposição solar tem também múltiplos benefícios.

Com efeito, a radiação ultravioleta pode induzir imunossupressão cutânea e, portanto, ser também benéfica para muitas doenças de pele, entre as quais a psoríase, o eczema atópico, ou a dermatite seborreica. Portanto, as pessoas com este tipo de doenças beneficiam da exposição ao sol.

Por outro lado, a exposição solar promove a síntese da vitamina D, prevenindo o raquitismo e a osteoporose, sendo igualmente reconhecidos os benefícios do sol no humor já que funciona como um eficaz antidepressivo.

A pele normal reage à exposição de radiação ultravioleta com alterações a curto prazo através de eritema (correspondendo à queimadura solar), hiperpigmentação (correspondendo ao bronzeado) e efeitos crónicos, como fotoenvelhecimento e fotocarcinogenese (com risco de neoplasias cutâneas).

A exposição a radiação solar cumulativa (diária) aumenta o risco de tumores de pele como carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular. Já a exposição solar intermitente (férias 1 a 2 vezes por ano com exposição solar muito acentuada) constituiu fator de risco para a ocorrência de melanoma cutâneo, sendo esta a forma mais grave de tumor cutâneo.

Como podemos tirar todo o partido do sol, sempre de forma segura, e evitar os seus malefícios?

Todos devemos ter cuidados para evitar a exposição à radiação solar, nomeadamente:

  1. Evitar exposição à radiação solar pelo menos nas quatro horas que circundam o zénite solar (das 11 às 15h no Verão e das 10 às 14h no Inverno), já que nesse período é recebida 60% da radiação solar. É também importante lembrar que o sol da rua, do recreio, do campo ou da montanha é o mesmo da praia, pelo que se impõem os mesmos cuidados.
  2. Usar roupas adequadas. A roupa funciona como barreira à radiação solar. O seu grau de proteção depende da densidade do tecido. Quanto mais denso, menor é o espaço entre as fibras e maior é proteção conferida. Nos tecidos com elastano a capacidade de esticar aumenta o espaço entre as fibras, causando uma diminuição do fator de proteção. Tecidos molhados têm também menor proteção contra a radiação. Atualmente existe roupa com proteção, em cuja etiqueta podemos encontrar informação acerca do fator de proteção ultravioleta (FPU).
  3. Usar chapéu. O sol tem uma incidência máxima sobre o couro cabeludo. Devem ser usados chapéus de aba larga ou tipo legionário, para protegerem não só o couro cabeludo mas toda a face.
  4. Usar óculos de sol. O uso de óculos de sol diminui a incidência de cataratas. Devem ser usados desde a infância, sempre que há possibilidade de exposição a radiação ultravioleta (direta ou refletida).
  5. Procurar sombras. É uma forma de diminuir a exposição solar. Quanto mais alta a localização da sombra, maior é a probabilidade de se receber radiação refletida dos objetos em redor e do próprio céu e nuvens. Como regra, pode afirmar-se que se for visualizado o céu, a partir do local à sombra, há ainda uma grande quantidade de radiação ultravioleta que atinge a área.
  6. Usar fotoprotetores. São substâncias que diminuem a quantidade de radiação ultravioleta que penetra na pele. Devem ser protetores com capacidade de proteção para raios ultravioleta A e B e com índices de proteção de 30 ou superiores. Devem ser aplicados 30 minutos antes da exposição solar, 30 minutos após inicio da exposição solar e, posteriormente, de 2 em 2 horas ou após atividades físicas ou banho.

Em qualquer caso, a exposição solar deve ser encarada com cautela e, sobretudo, com respeito pelas regras já mencionadas.

Deste modo, pode tirar-se máximo partido dos benefícios do sol, minimizando os riscos da sua exposição.

Dra. Inês Lobo
Dra. Inês Lobo

Médica Dermatologista