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27 SET 2017

Dia Europeu de Sensibilização para o Cancro da Próstata

O cancro da próstata tem vindo a aumentar, sendo a forma de cancro mais frequente na população masculina. Na Europa esta doença é a terceira causa de morte mais comum afetando  mais de dois milhões de homens, com  consequências negativas na vida das famílias e no sistema de saúde.

Salvar vidas e assegurar uma elevada qualidade de vida requer ações imediatas a todos os níveis, desde o diagnóstico ao tratamento.

O Hospital de Santa Maria – Porto e a sua equipa de Urologia têm como objetivo contribuir para uma maior sensibilização e conhecimento sobre a doença, disponibilizando as formas mais inovadoras de diagnóstico e tratamento.

O que é o cancro da próstata?

shutterstock_293521535Trata-se de um tumor maligno na próstata. A maioria dos tumores na próstata tem um desenvolvimento lento e assintomático. O risco de sofrer de cancro da próstata aumenta com a idade.

Quais são os sintomas?

Numa fase inicial, o cancro da próstata não apresenta qualquer sintoma, pelo que a sua presença pode ser difícil de detetar. Na maior parte dos casos, sintomas como problemas em urinar, podem ser causados por: uma hiperplasia benigna da próstata, um crescimento anormal da próstata, ou uma mera infeção urinária, e não serem sintomas de cancro.

Quando o cancro da próstata causa sintomas é normalmente um sinal de que já se encontra num estado avançado. Os sintomas, neste caso, podem incluir: dores localizadas nas ancas, costas, peito ou pernas, indicando que o cancro se espalhou para os ossos.

Quais são os fatores de risco?

Não sendo totalmente conhecidas as causas do cancro da próstata, sabe-se no entanto que existem fatores de risco que aumentam a sua probabilidade de ocorrência:

Idade avançada

O risco de desenvolver cancro na próstata aumenta com a idade. A idade média de diagnóstico é de 69 anos, mas um estudo nos Estados Unidos  indica uma prevalência elevada em homens mais jovens, com cerca de 55 anos.

Origem étnica

O cancro da próstata é uma doença com grande incidência em homens de origem africana e menos incidente em homens de origem asiática. A causa destas diferenças ainda é desconhecida.

Antecedentes familiares

Homens com um historial de cancro na próstata na família têm um maior risco de desenvolver a doença. O historial familiar é, normalmente, um fator de risco que deve ser tido em conta pelo médico.

Como prevenir o cancro da próstata?

O Código Europeu Contra o Cancro, publicado em 2015 e baseado em estudos científicos, apresenta 12 recomendações que têm como objetivo reduzir o risco de cancro, informando as pessoas como evitar ou reduzir a exposição a substâncias carcinogénicas, adotar um estilo de vida saudável ou participar em programas de vacinação ou de rastreio, no caso do cancro do colo do útero, cancro do colon e cancro da mama.

Dadas as diferenças epidemiológicas entre Ásia, América do Norte, e o Sul e Norte da Europa, parece que as diferenças na dieta (baixa em gordura animal e rica em frutas, cereais e vegetais, bem como soja não fermentada contendo isoflavonas – um grupo de compostos fenólicos que são considerados bioativos) podem contribuir para um risco mais baixo de cancro na próstata.

Estudos realizados sugerem também que os polifenóis presentes no chá verde, as isoflavonas da soja e outros fito-estrogéneos, o licopeno, o vinho tinto e o sol podem ter um efeito favorável na prevenção do cancro da próstata.

Seguir um estilo de vida saudável e fazer exercício físico com regularidade podem também contribuir para a prevenção desta doença.

Diagnóstico

O diagnóstico do cancro da próstata não é feito apenas com um exame, mas sim através de um estudo do indivíduo e vários exames complementares de diagnóstico.

PSA

O teste do PSA (Prostate-Specific Antigen) é uma análise que mede a quantidade de antigénio específico para a próstata no sangue. Os valores do PSA podem ser utilizados para medir o risco de cancro na próstata  e são a principal análise a fazer, aconselhada a partir dos 45 anos, se existir historial familiar, ou dos 50, caso não exista.

Os níveis de PSA elevados numa análise podem ou não indicar risco elevado de cancro – podem ser sinais de crescimento benigno da próstata ou de uma prostatite (infeção da próstata). Por outro lado, homens com cancro na próstata podem apresentar um baixo valor de PSA. Será o urologista a decidir quais os testes adicionais a realizar, com base na idade e história clínica familiar.

A principal vantagem do teste de PSA é que os homens com risco mais elevado de desenvolver cancro na próstata têm, assim, maior possibilidade de conseguir um diagnóstico precoce da doença, minimizando a necessidade de ter de fazer um tratamento mais agressivo e reduzindo os efeitos secundários, como a disfunção erétil ou incontinência.

Exame retal

Outra técnica de diagnóstico é o exame do toque retal, através do qual os médicos avaliam as alterações da glândula prostática. Este exame é menos eficiente para tumores num estado inicial, pelo que não se trata de um exame suficiente, mas sim auxiliar.

Imagiologia

Os exames de Imagiologia têm um papel muito limitado no diagnóstico primário da doença. A técnica mais utilizada é a ecografia transretal, enquanto que a técnica mais atual e mais fidedigna é a Ressonância magnética multiparamétrica.

Biópsia prostática

A biópsia da próstata é o único teste que, ao existir uma suspeita, pode confirmar a existência de cancro da próstata. Está indicada no caso do PSA apresentar valores muito elevados, quando existe uma suspeita através do exame retal ou quando se verifica uma subida muito rápida dos níveis do PSA.

Biópsia de fusão

A biópsia de fusão, transperineal, utiliza um sistema tipo matriz com intervalos de 5mm o que permite não só uma localização tridimensional precisa, mas também uma classificação perfeita. Baseia-se num sistema de realidade aumentada em que a imagem da Ressonância Magnética é sobreposta na imagem ecográfica em tempo real. Pelo facto de não ser transretal a taxa de infeções é próxima de 0.

Tratamento

O tratamento do cancro da próstata pode ser diferente em cada caso e, mediante o tipo de tratamento, pode também ser realizado por especialistas diferentes.

Os três tratamentos principais são:

  • Cirurgia
  • Radioterapia
  • Terapêutica com medicamentos

Terapia focal

Para cancros da próstata em estádio inicial, o Hospital de Santa Maria – Porto já disponibiliza a terapia focal, ou técnica NanoKnife, para o tratamento das lesões.

Atualmente grande parte dos tumores são tratados adotando uma estratégia focal – é o caso dos tumores da mama ou do rim. As vantagens desta abordagem prendem-se com uma recuperação pós tratamento muito mais rápida e efeitos secundários praticamente nulos. No entanto, é preciso identificar com precisão o foco a tratar, sendo ainda uma terapia com indicação apenas para lesões em fase inicial.

Se tem dúvidas sobre a doença, consulte a nossa equipa de Urologia.