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Evidências da Medicina Hiperbárica apresentadas em Simpósio

Um grupo de especialistas em Medicina Hiperbárica reuniu-se no passado mês de junho, no Hospital de Santa Maria – Porto, para avaliar e discutir os resultados que esta terapêutica tem demonstrado em vários casos clínicos. Tratou-se do Simpósio de Medicina Hiperbárica, promovido por esta unidade de saúde privada em parceria com a International Hyperbaric Medicine and Research Association (IHMERA) e com a Iberlab.

“Foi uma honra receber este evento médico, realizado em parceria com a maior associação mundial da especialidade (IHMERA), que contou com alguns dos maiores especialistas mundiais na terapia de oxigenação hiperbárica. Assistimos à apresentação de casos clínicos muito interessantes, nos quais esta terapêutica demonstrou ter sido fundamental para a recuperação mais rápida dos doentes. As evidências apresentadas pelas Dras. Mariana Cannellotto e Guadalupe Mendez Campos demonstraram claramente que esta terapêutica pode ser um campo a explorar de forma a ampliar o leque de opções para a recuperação de várias patologias, entre as quais feridas, pós-operatório, queimaduras e mesmo sequelas da Covid-19, entre outras”, explica Rui Pinto, médico Ortopedista e diretor clínico do Hospital de Santa Maria – Porto.

Os cerca de 70 participantes neste Simpósio puderam partilhar a experiência e os conhecimentos dos oradores convidados: Dra. Mariana Cannellotto, presidente da International Hyperbaric Medicine and Research Association (IHMERA); Dra. Guadalupe Mendez Campos, médica de Medicina Hiperbárica com especialização no tratamento de feridas e reabilitação; e Dr. Costantino Balestra, vice-presidente da Divers Alert Network Europe para Investigação e Educação e ex-presidente da European Underwater and Baromedical Society.

A Dra. Mariana Cannellotto fez uma apresentação muito centrada na utilização de câmaras hiperbáricas de média pressão e os efeitos fisiológicos da terapia de oxigenação hiperbárica. Segundo esta especialista, as altas concentrações de oxigénio num ambiente hiperbárico provocam uma hiperoxia que permite que o oxigénio chegue aos tecidos menos irrigados, com benefícios bioquímicos e fisiológicos importantes.

A apresentação da Dra. Guadalupe Mendez Campos centrou-se em casos explicativos, tais como o de uma infeção pós-cirúrgia, após colocação de banda gástrica, no qual a terapia de oxigenação hiperbárica se revelou crucial como tratamento coadjuvante de ferida e infeção aguda; e o tratamento de um caso pós-Covid 19, de uma paciente com 50 anos e hipóxia grave devido ao vírus.

A importância da oxigenação dos tecidos e os diferentes processos fisiológicos que se dão na sua falta, e diferentes utilizações de terapia com administração de oxigénio, foram o centro da brilhante apresentação do Dr. Costantino Balestra, com o título “The Normobaric Oxygen Paradox: From breath-hold diving to the patient’s bed »

De salientar que o Hospital de Santa Maria – Porto dispõe, desde há um ano, de uma Unidade de Medicina Hiperbárica onde recebe os mais variados casos clínicos para reabilitação de pacientes. Coordenada pelos médicos Paulo Maia e Rui Ponce Leão, ambos com competência em Medicina Hiperbárica, esta unidade tem vindo a utilizar a terapêutica de oxigenação hiperbárica em várias áreas médicas, com especial enfoque para a Ortopedia e Traumatologia, mas também atletas de alto rendimento em recuperação, situações de pós-operatório, feridas crónicas, fibromialgia, fadiga, enxaquecas e cefaleias, entre outras.